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Como educar filhos com valores morais?

Na última segunda-feira (10/04), dia do meu aniversário, a escola tinha anunciado a palestra com Catarina Gonçalves, já escrevi aqui sobre ela e seus esclarecimentos e orientações sobre o bullying. Não tinha dúvidas de que seria um presente enriquecedor, e foi!

Divido com vocês alguns dos pontos que consegui anotar diante de tanta coisa importante para gente refletir e exercitar na educação dos nossos filhos. 

Para a maioria dos pais da minha idade, a palmada fez parte da infância assim como os beliscões, e alguns exageros para estabelecer ‘autoridade’… Por mais que a gente considere errado hoje, de vez enquanto nos deparamos com frases, vídeos, que parecem nos confudir quanto ao modelo ideal de educação.

A verdade é quando nasce um pai ou uma mãe, a gente começa uma jornada de descobertas e um grande caminho de oportunidades novas de desenvolvimento pessoal. Catarina brilhantemente nos faz pensar com base em estudos pedagógicos e psicológicos “É possível uma educação para além da violência”, e tem argumentos incontestáveis, se educar batendo fosse o correto, por quê as escolas não batem?

Precisamos dizer para nossos filhos que é necessário dar bom dia, obrigado, não é só porque é educado, mas ensinar que ao dar bom dia, demonstramos que estamos enxergando o outro e o seu valor, ao agradecer estamos retribuindo o desejo do outro em nos deixar feliz com alguma ação. “A ausência de polidez é uma incivilidade”

Até os 02 anos de idade estamos na chamada fase de anomia (ausência de regras), quando ele não consegue entender e atender regras, depois seguimos para a heteronomia (hetero / outro + nomia / regra), em que você entende as regras em função do outro (+/- até 9, 10 anos). O desenvolvimento depende da relação que a gente estabelece com os outros.

O objetivo é chegarmos na autonomia, onde o sentimento é de querer agir corretamente, mas às vezes a gente vê adultos que só não bebem quando estão dirigindo por causa da blitz, só usam cinto de segurança por causa da multa, enfim… ainda estão na heteronomia.

E como pais, educadores, o que buscamos? Uma obediência cega?

“A moralidade não se dá pela obediência, mas por uma relação, pelos sentimentos que conseguimos despertar nos nossos filhos”. E quais seriam os sentimentos que despertam esse querer agir moral?

O medo de perder o amor dos pais (Freud)
O medo da punicão (Kohlberg)

A mistura de admiração/amor (“Se a regra foi colocada por quem eu amo, deve ser boa”), do medo (que não é do ‘castigo’, mas de se empobrecer diante de quem se ama), e da confiança (o exemplo é essencial) (Piaget).

Para chegar a autonomia, é preciso:
– Empatia (Reconhecimento e valorização do outro)
– Indignação (A gente tem responsabilidade uns com os outros)

– Culpa (A cupa e a vergonha são sentimentos auto regulatórios)

“Educar moralmente é educar para as virtudes”

E como a gente consegue isso? O que fazer?

1) Tenha Paciência – “olhe para cada erro como uma falta. E se é falta, é porque é preciso ensinar”
2) Favoreça o Diálogo – dialogar é trocar, é respeitar
E quando a conversa não funciona?

Existe o uso das sanções (não é castigo). É estabelecer que a criança deva reparar seu ato, seja cuidar do colega machucado, seja pedir desculpas (mas, não é só dizer a palavra desculpas, é reconhecer o seu erro. Ela tem que refletir junto com um adulto e conseguir responder qual foi o erro dela). Um detalhe importante é que a sanção deve estar de acordo com o ato, e não com o humor e a raiva do adulto que estabelece. Ex: a criança joga um talher no chão intencionalmente e o pai cansado, deixa para lá, e num dia em que estiver estressado, e a criança derrubar o talher no chão porque estava brincando enquanto comia, o pai vai gritar e repreender de forma dura a criança.

3) Evidencie os valores que não se abre mão – Atenção ao que se diz em casa. “Em matéria de ética, só pode trabalhar quem possui”
Ex: Como posso ensinar o valor do outro, se eu caçoou do cabelo, do corpo das pessoas?

“Não dá para ficar só na regra, se não há preservação do valor!” É preciso se policiar, evitar ações contrárias aos valores que defendemos, e explorar a polidez para além de si mesmo. “Não dá para ser polido só com meus iguais”

Valor – A Vida
Princípio – A Vida deve ser preservada

Regra – Não matar

Ex: A gente ensina o valor a vida, mas a gente fala frases do tipo: tinha que matar essa pessoa, ou… podiam morrer todos os presidiários…
“Quanto mais imatura é uma sociedade, mais regras é preciso!”
E para finalizar essa riqueza de reflexões que Catarina nos proporcionou, deixo o link do blog dela aviagemdeumamae.blogspot.com.br e o poema de Madalena Freire, que me emocionou muito, e que faz a gente pensar sobre nossa oportunidade de desenvolvimento como pais, como pessoas, e de como nossos filhos precisam de espaço e da nossa sabedoria para se descobrirem como seres também:
Eu NÃO SOU VOCÊ VOCÊ NÃO É EU

Eu não sou você
Você não é eu
Mas sei muito de mim
Vivendo com você.
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava pra você
Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança
Na sua, minha, competição
Na sua, minha, birra birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotência
Na sua, minha, fragilidade doce
Na sua, minha, mudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto olhava pra mim?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas foi vivendo minha solidão que conversei
Com você, e você conversou comigo na sua solidão
Ou fugiu dela, de mim e de você?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo
Lhe ver, porque você me reflete
No que eu ainda sou
No que já sou e
No que quero vir a ser…
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto
Somos capazes de, diferenciadamente,
Eu ser eu, vivendo com você e
Você ser você, vivendo comigo.

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