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Reta Final ou O lado B da Gravidez

Faz 35 semanas que eu carrego um novo ser dentro de mim. Faz 35 semanas que meu corpo sofre alterações absurdas, com enxurradas hormonais, dores, mal estar e amor, claro, muito amor.
Mas eu não quero falar do lado sublime e poético. Quero falar do real, do que sinto na pele, coxa e pernas inchadas.
Não é moleza gerar uma vida. É muita energia consumida e mudanças bruscas. No corpo, nas emoções e no psicológico.
Estou atravessando essa deserto do Saara chamado último mês. As dores são diárias, constantes e solitárias. Na coluna, na pélvis e no juízo. As noites em claro ou dormidas em doses homeopáticas, fracionadas, não me deixam raciocinar direito no dia seguinte. Sim, estou cansada. Muito. Descobri um novo melhor amigo: o gelo. De manhã, de tarde e de noite nos encontramos. Batemos aquele papo de confidentes e ele sempre me conforta. Me salva. Me permite dormir em até 3h seguidas de sono. Oh, Glória! É o máximo que consigo. A barriga grande, o peso extra do meu corpo -engordei mais do que devia- e a dor na coluna me tornaram um ser impaciente, irritante. Pra mim e -principalmente- para os outros, alerta máximo: cuidado! Se encostar, leva choque.
Um simples banho ou troca se roupa se equiparam à Meia Maratona. Ou seria s São Silvestre mesmo?! Puxo o ar bem forte, várias vezes, se não não termino. E quando termino, tô morta. Cansada. Preciso parar e respirar. Fazer respiração do Pilates: aquela que vc puxa pelo nariz e solta pela boca fazendo barulho. Bem intensa.
Estou com 10 dias de licença médica devido a essas dores. Sim, repouso é a palavra de ordem. E gelo, muito gelo para dar conta de fazer tarefas banais como vestir uma roupa.
Apesar de toda essa luta (e sofrimento!), estou focada no final desse trajeto, na última “parada desce”, quando chegar o dia do encontro. De ver e sentir de outra forma o meu filho. De tê-lo nos braços e no peito. E aí já será outra jornada. Uma nova maratona que conto depois…
Texto enviado pela jornalista Ana Luisa Erthal. Na foto, Valentina sua filha beijando o irmão João, ainda morador da barriga de Aninha.

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