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Como falar da morte com as crianças? Com lidar?

Quando alguém da família morre, a gente tenta contar para as crianças da maneira mais lúdica possível: virou estrelinha, foi morar com papai do céu… Quando aconteceu com o meu pai, também foi assim por aqui. Mas foi muito difícil esconder minha dor, a saudade. Me flagraram várias vezes chorando escondido, a morte virou tema recorrente de perguntas. Sim, descobrimos juntos que não dá para passar batido por esta situação. Eu tentei amenizar meu sofrimento, tentei esconder meus sentimentos até de mim mesma. Engordei. Desenvolvi Lupus cutâneo. Desanimei.  O tempo ajuda. A dor leva a refletir. Dois anos depois, consigo estar aqui escrevendo, sem chorar, tentando ajudar quem também passa por isso.
Se a gente que tem a fé mais desenvolvida, que entende o processo natural, que sabe dizer o que estamos sentindo… Se para gente é difícil, imagina para os pequenos que sentem a perda, sentem como estamos.
Agressividade, choro sem ‘motivo’, xixi na cama, medo de fica sozinho, do escuro. São várias as maneiras de demonstrar e sentir a perda…
Acredito que o caminho do diálogo é o ideal. A gente tende a menosprezar o que estamos sentindo, deixando de lado, e com as crianças além de ignorar o que sentem por achar que tudo passa mais rápido para elas, ainda vivemos numa tentativa de blindagem à tudo que é ‘ruim’.
A formação do ser humano começa ao nascer. Quando eu leio na Bíblia “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Eu imagino que para amar alguém você precisa conhecer, precisa de uma admiração e confiança. E se você conhece Deus e sabe que uma folha não cai de uma árvore se na houver permissão dEle, você sabe que tudo tem um propósito. ‘Todas as coisas’ inclui dor, saudade, perda, medo… porque aprender com tudo isso (não é fingir que não existe, é enfrentar, descobrir como superar) nos desenvolve, nos amadurece, e nos torna pessoas melhores. Sim, e esse aprendizado começa ainda quando somos bebês. O choro ajuda, o colo ajuda, carinho ajuda, e conversar, explicar, refletir junto. Esse é o sentido de ser família, crescer junto, se ajudando.
Tive o privilégio de ter um pai assim: generoso, que respeitava nossos sentimentos, ouvia e conversava, carinhoso, que abraçava e oferecia colo e ajuda. É difícil perder o contato físico, mas eternamente eles estará aqui com a gente, e é preciso aprender a viver com ele de outra forma que não é a física.
Saudade é amor que fica! E amor é um tanto que se espalha e abraça a alma

Aqui perdemos meu pai (18/07/2015) e a avó do meu marido (30/04/2016), e ainda estou aprendendo a administrar essa saudade e amor <3

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